Em novembro de 2025, o frevo completou 15 anos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Recife celebrou a data com uma série de eventos que reuniram mais de 200 mil pessoas nas ruas do centro histórico.
Quinze anos depois do reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, o frevo segue sendo o coração pulsante da identidade pernambucana. Mas o aniversário também trouxe reflexões sobre os desafios de preservar uma tradição viva em tempos de transformação cultural acelerada.
A professora e pesquisadora Lúcia Monteiro, do Departamento de Artes da UFPE, lembra que o reconhecimento da Unesco foi importante, mas não resolveu problemas estruturais. "A gente tem escolas de frevo funcionando em condições precárias, mestres que envelhecem sem sucessores formados. O título não paga conta de luz", diz ela.
Por outro lado, os números do turismo mostram que o frevo continua sendo um dos principais atrativos do Recife. Segundo dados da Empetur, o Carnaval 2026 trouxe 1,3 milhão de turistas para a cidade, com impacto econômico estimado em R$ 1,8 bilhão.
O maestro Maestro Duda, um dos grandes nomes da música carnavalesca pernambucana, morreu em 2019, mas deixou um legado que ainda orienta a cena. Seus arranjos são estudados nas escolas de música da cidade e sua influência aparece no trabalho de jovens compositores como Rafael Melo, 24 anos, que já tem três marchas gravadas por orquestras tradicionais.
"O frevo não pode virar museu", diz Rafael. "Ele precisa continuar sendo feito por pessoas que vivem no Recife de hoje, que pegam ônibus, que trabalham, que têm as angústias do nosso tempo."
As comemorações dos 15 anos incluíram uma exposição no Paço do Frevo, shows no Marco Zero e uma série de oficinas gratuitas para crianças e adolescentes em escolas públicas da periferia.